MUROS

julho 28, 2015


Não sabia como havia chegado ali. Só lembrava que fazia uma eternidade que estava andando, porém o caminho percorrido não estava guardado em sua memória. Era um muro alto, ela quase não conseguia enxergar o topo. Quando olhava para os lados, o muro parecia ser de uma imensidão sem fim. Quando olhava para trás, uma densa floresta se esticava rumo ao desconhecido. Sem saber para onde ir ou o que fazer, resolveu andar ao lado do muro a fim de ver se achava alguma porta.

Enquanto caminhava ela tentava lembrar-se do que tinha acontecido. Pequenos flashes inundavam a sua mente com rostos e vozes, que de nenhuma maneira lhe pareciam familiares. Os rostos mais nítidos pertenciam a uma família. A mãe, o pai e dois filhos, todos aparentemente felizes, e isso fazia com que ela sentisse um aperto no peito, mesmo sem saber ao certo porque aquilo a incomodava tanto.

Depois de algum tempo seguindo o muro, ela cansou. Horas já haviam passado e nenhuma porta aparecera, nem o muro mostrara qualquer sinal de que estivesse acabando. A noite foi chegando e resolveu que iria dormir naquele ponto mesmo, e no dia seguinte retomaria a caminhada. Estava decidida a atravessar o muro custe o que custasse, mesmo ela não sabendo porque ela estava tão disposta a isso. Deitou no chão e simplesmente esperou o sono vir, e o mesmo veio logo, sereno e suave, abraçar-lhe mediante a escuridão.

Logo os primeiros raios de Sol apareceram, despertou e percebeu que alguém a observava. Era uma outra menina, mais ou menos da mesma idade. A olhava com certa pena, como se não entendesse ao certo porque havia alguém dormindo ali, ao lado do muro. Quando percebeu que ela acordava, logo a cumprimentou e perguntou o que esta estava fazendo ali. Sem saber a resposta, a menina preferiu a sinceridade e disse que não sabia ao certo, mas que precisava muito entrar no muro, porém não sabia como faze-lo.

A menina que estava de pé, olhou com ar confuso, suspirou e disse que era impossível que ela entrasse no muro. Sem entender muito bem, a outra levantou-se e fez uma cara de espanto que só se desfez quando a outra lhe contou que era impossível entrar no muro pois elas já estavam dentro.

Nesse momento, algo pareceu despertar dentro dela. Aos poucos, todas as memórias dela saíram de onde quer que fosse que estivessem escondidas. Tudo parecia fazer sentido, o muro, os rostos e as vozes que ouviram antes, tudo se encaixava. Bastou um segundo para que percebesse. A menina que antes estava ali, sumira. A floresta dera lugar a uma casa de frente para praia, e o muro fora derrubado, atrás deles estavam todos os rostos e vozes, mas em corpos, que atravessaram o muro e entraram no que antes era um mundo particular.

Imagem: Tumblr

Me sigam por aí! Instagram / Twitter / Facebook / Snapchat: anaclaudiaplima / Goodreads / Skoob

You Might Also Like

10 comentários

  1. Que texto incrível! Embarquei demais na atmosfera de fantasia... adorei!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Uhul! Muito obrigada! Foi a primeira vez que eu escrevi algo assim! Fico mt feliz que você gostou! :)

      Excluir
  2. Adorei! Quem nunca ficou sem rumo, sem saber qual caminho seguir? Eu acho que as repostas estão dentro da gente mesmo. é só se questionar...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Exatamente! A gente tem que se permitir enxergar o que tem dentro pra resolver o que está fora! :)

      Excluir
  3. Texto incrível *-*

    www.delineadoclassico.com

    ResponderExcluir
  4. Gente, que post mais lindo. Amo escrever e vejo que você também.
    Vá trabalhando esse talento, você leva muito jeito.
    Primeira vez aqui e espero voltar mais vezes!
    Um beijo!

    Bia,
    Blog Since85

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Bia! Valeu pelo incentivo!
      Escrever é tão libertador, é colocar no papel aquilo que a gente tá pensando e não tem coragem de falar!
      Volta sempre viu?

      Excluir
  5. Lindo texto! Já me peguei sem rumo tantas vezes =(

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito obrigada! :)
      Acho que é a pior sensação não ter nenhum plano, não saber para onde ir...

      Excluir

CURTE A PÁGINA!