TERREMOTO

agosto 18, 2015

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Era só mais um pequeno terremoto, ela pensou. Terremotos eram comuns naquela época do ano. Os jornais já noticiavam aquilo como se fosse a coisa mais normal do mundo, estavam tentando esconder como era engraçado eles terem começado há 2 anos e não terem parado mais, sempre na mesma época.
 
Todos haviam se habituado. A maioria das casas tinham encontrado maneiras de manter seus quadros pregados nas paredes e de não deixar a vista coisas que pudessem cair e quebrar, como louças e porcelanas. Ninguém mais estranhava quando eles começavam e tinham alguns que até se arriscavam a sair na rua para curtir as emoções de sentir tudo tremer em grupo.
 
Ela não conseguia se conformar. Parecia que o mundo todo estava ficando maluco, como as pessoas podiam achar normal o fato de que do nada começasse a ter terremotos em um lugar onde eles seriam impossíveis de acontecer. Ela iria investigar e iria achar a causa, não importa o que fosse.
 
Começou sua busca através de notícias, de tudo que tivesse documentado os primeiros acontecimentos. Qualquer coisa que pudesse lhe dar uma luz sobre o que tinha acontecido serviria para ela. Depois de algumas semanas começou a entrevistar pessoas, civis e cientistas, todos aqueles que pudessem ajuda-la a desvendar esse mistério. Estava decidida e mesmo só conseguindo informações vagas, ela iria mergulhar naquilo, iria descobrir o que estava acontecendo.
 
Quanto mais ela mergulhava em sua pesquisa, menos ela parecia descobrir. Era fato de algo estava errado. Milhões de grupos na internet apresentavam teorias conspiratórias sobre o assunto, mas nenhuma delas a convencia. Algo a dizia que ela precisava ir mais fundo, que precisava olhar mais, melhor as coisas.
 
Certa noite, em meio a confusão que sua vida havia se tornado, ela resolveu olhar os papéis que vinha acumulando, e percebeu que o ínicio dos terremotos se dera em um dia muito específico, um dia peculiar. Por algum motivo ela havia bloqueado todas as lembranças daquele dia. Não conseguia saber onde estava e nem com quem. Resolveu então buscar essa lembrança.
 
Não havia nada em suas redes sociais nem em seu computador, nenhuma foto, nenhuma mensagem, nada. Começou a revirar suas gavetas, tirou todos os papéis que estavam ali. Leu todas as cartas e recados. Nada. Até que no meio de umas revistas ela achou uma foto com a data em que tudo havia começado.
 
Ela estava feliz na foto e havia um rapaz com ela, feliz também. Era uma lembrança antiga, de algo que acontecera e terminara. Um click se deu no cérebro dela. Aquela era a última recordação de um passado que ela havia bloqueado e do qual ela precisava se libertar. Olhar aquela foto e não sentir dor foi fácil, e o peso e o aperto que a haviam perseguido ela pelos últimos anos se foram. O tempo havia feito um trabalho fantástico, e ela descobriu então o que precisava fazer.
 
Pegou o telefone, ligou para o rapaz da foto, e eles conversaram, pela primeira vez como amigos, e ela pode então se libertar daquilo. Todas as lembranças voltaram como uma parte da vida que ela jamais esqueceria novamente. Que tinha sido boa, mas acabara.
 
Naquela cidade, como mágica, nunca mais aconteceu nenhum terremoto, e por mais clichê que isso seja, ela viveu feliz, com suas lembranças e seu novo começo.

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